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Mês: março 2020

A mania de grandeza na filha de mãe narcisista: a pior e a melhor em tudo

Se você já possui certo conhecimento e experiência com o narcisismo, seja de forma direta como filho(a) de uma mãe ou pai narcisista, seja indireta como terapeuta de um(a), compreende como a mania de grandeza influencia o comportamento destes tipos de genitores. Trata-se de uma das características mais facilmente associadas ao narcisismo estereotipado ou àquele indivíduo arrogante e inseguro que usa o que é belo, caro e sofisticado, por exemplo, assim como tudo o que lhe confira poder, influência e status, tais como: títulos, aparência pessoal, sucesso profissional, financeiro e acadêmico etc. como suprimento para criar um falso senso de identidade, autoestima e bem-estar  (para um estudo mais aprofundado da mania de grandeza na mãe narcisista, recomendo a leitura do capitulo “1.7 A mania de grandeza” do meu primeiro livro Prisioneiras do Espelho, Um Guia de Liberdade Pessoal para Filhas de Mães Narcisistas).   

A mania de grandeza na filha de mãe narcisista a pior e a melhor de tudo
Exagerar o valor de suas habilidades, aparência ou conquistas ou nutrir uma percepção pessoal negativa também é mania de grandeza

Embora a mania de grandeza e a necessidade patológica de se destacar sejam evidentes nos comportamentos narcisistas mencionados, não se limita a quem o possua, pois a mania de grandeza surge da ênfase do que é extremo e, portanto, qualquer um pode manifestá-la para exagerar a importância ou o valor de algo, seja para um nível alto ou baixo. Desta forma, tanto a filha de mãe narcisista quanto a genitora podem exibir comportamentos condizentes com a mania de grandeza quando, por exemplo, exageram o valor de suas habilidades, aparência ou conquistas ou nutrem uma percepção pessoal negativa. Em ambos os casos, o indivíduo não consegue obter um senso de bem-estar através de uma autoimagem realista e equilibrada, mas realça qualidades ou defeitos que supõe possuir para adquirir um senso de relevância e “amor-próprio” deturpados.

Isso se torna claro na sala de terapia quando os meus clientes, filhos de pais e mães tóxicos/narcisistas/abusivos/emocionalmente negligentes gravitam entre “a melhor” e “a pior” versão de si próprios no decorrer do processo de autoexploração e conhecimento ou na fase inicial de reorganização de sua narrativa pessoal. O relato do(a) cliente bem-sucedido(a) profissional e financeiramente, por exemplo, que não consegue ver-se além de seu peso e feitos incríveis de forma íntegra e centrada não se diferencia daquele(a) que quando pergunto, “Me conta algo sobre você” e define-se – exclusivamente – através de uma longa lista de eventos traumáticos, problemas catastróficos e diagnósticos terríveis. Vale lembrar que ter o sofrimento validado com empatia no contexto terapêutico é, sem dúvida, importante para lidar com os efeitos do trauma, contudo, é igualmente importante se reconhecer como filho(a) de mãe narcisista. Dessa maneira, há probabilidade do pensamento e comportamento estarem sendo guiados pela mania de grandeza herdada da educação tóxica, o que corrompe a autopercepção ao mesmo tempo em que pode impedir o indivíduo de se conceber de modo saudável e realizar-se como pessoa.        

Caso tenha se identificado, recomendo aumentar a autoconsciência e monitorar ativamente a tendência de formular uma visão própria demasiadamente tendenciosa – seja para o negativo ou positivo – como se houvesse algo de errado em ser simplesmente você, excluindo as ações extraordinárias e os superlativos. Celebre a sua humanidade através da prática de ver-se como uma mistura maravilhosa de adjetivos e cores variadas ou como uma linda pintura que, apesar de inacabada, bela e falha, exibe riqueza e complexidade únicas.    

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