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Mês: abril 2020

Você é viciada em drama?

Como filho ou filha de mãe narcisista, foi criado e se desenvolveu em um ambiente permeado de ameaças ao seu bem-estar. A longo prazo, isso tem um efeito marcante e duradouro no cérebro, particularmente na região que nos prepara para lidar com perigos, chamada sistema límbico (ou “cérebro emocional”). Para tais vítimas do estresse crônico e abuso por prolongados períodos, o sistema de alerta permanece preso no modo sobrevivência – o que pode contribuir para que se tornem “viciados no medo” ou nas sensações de euforia associadas ao efeito desta emoção no corpo.

Você é viciada em drama
O medo produz sensações de euforia que podem tornarem-se viciantes

Por mais que pareça incoerente, “sentir-se bem” ou “menos inadequado” quando com medo ou inseguro faz sentido sob uma perspectiva neurobiológica. Isso se deve ao fato de que a resposta luta ou fuga ou o medo que se origina da nossa percepção de perigo, por exemplo, aciona os receptores de adrenalina e dopamina no cérebro. A dopamina, em particular, foi conectada não apenas ao prazer, mas também aos comportamentos de recompensa, busca e evasão. A combinação desses hormônios nos faz sentir física e emocionalmente “turbinados” e produz uma sensação de euforia com o potencial, portanto, de tornar-se bastante viciante.

Esse vício no medo faz com que muitos filhos e filhas de mães narcisistas tornem-se, literalmente, viciados em drama. A seguir exemplos de como isso pode ser observado na prática:

  • A história da sua vida é facilmente resumida por um grande número de desastres e eventos adversos. A sua narrativa pessoal é, portanto, supernegativa e carregada de pessimismo e falta de objetividade.
  • Aqueles que são maduros emocionalmente, centrados, possuem uma atitude positiva e, portanto, vivem uma vida tranquila, entediam você. Embora de forma altamente inconsciente, você atrai pessoas difíceis, com problemas de saúde mental, abusivas e/ou imaturas emocionalmente ou gravita na direção destas para manter a vida repleta de altos e baixos e o medo de rejeição e abandono sempre presentes, o qual lhe é tão familiar e confere-lhe um senso de segurança deturpado.
  • O que você consome, faz e vivencia reforça o seu medo e estado de hipervigilância. Garantir que os dias sejam preenchidos com milhares de atividades, sentir-se (secretamente) orgulhosa de estar sempre ocupada, ouvir podcasts ou assistir documentários de crimes reais, ser viciada em notícias e controvérsias, recusar-se a não se envolver nas histórias de drama e participar dos processos de triangulação da família tóxica, assim como ler livros referentes a histórias de violência, abuso e trauma – sejam de natureza técnica ou biográfica – além de beber grandes quantidades de café e consumir alimentos ricos em carboidratos refinados – tais como pão branco e massa – são todos exemplos de como os viciados no drama mantêm-se “ligados”

Para reduzir a dependência no medo e manter-se em um estado equilibrado, recomendo as práticas que estimulam a ativação do córtex pré-frontal, a região do cérebro responsável, entre outros, pelo controle do impulso e equilíbrio emocional. Incluir a meditação mindfulness na sua rotina, aumentar a autoconsciência através do monitoramento e questionamento dos pensamentos negativos, adotar uma dieta integral baseada em plantas, fazer exercício regularmente e reduzir drasticamente ou cortar o contato com a família tóxica, por exemplo, são algumas medidas que o ajudarão a baixar o basal do estresse e garantir um aumento na qualidade de vida e melhora em sua saúde física e psicológica/emocional.

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