5 crenças rígidas de uma educação tóxica que resultam em baixa autoestima e codependência

5 crenças rígidas de uma educação tóxica que resultam em baixa autoestima e codependência
Uma educação tóxica prejudica o desenvolvimento sadio da criança

Uma educação tóxica é proveniente de um estilo parental inepto, inconsciente, imaturo, abusivo e negligente e, por esta razão, afeta prejudicialmente o desenvolvimento da criança sujeita a isto. Crescer sob tal influência interfere com a nossa capacidade de nos tornarmos adultos autoconfiantes, além de prejudicar a nossa habilidade de nos sentirmos seguros no campo dos relacionamentos.  Se você é pai ou mãe e não quer cometer os erros de seus genitores tóxicos ou deseja tornar-se mais consciente acerca da origem da sua falta de amor-próprio, elencam-se 5 crenças rígidas de uma educação tóxica que resultam em baixa autoestima e codependência:

“A criança deve comportar-se exatamente como os pais querem”

Segundo esta crença, a criança é como uma “tábula rasa”, ou seja, não tem personalidade ou conhecimento, portanto, quem sabe o que é bom para ela são, suposta e exclusivamente, os pais. Contudo, a falha dos pais de não reconhecerem a sua competência, individualidade e autonomia resulta em intensos sentimentos de insegurança pessoal na criança. Por ser forçada a ter um senso de direção para fora de si e nos sentimentos e necessidades alheias, distancia-se do próprio eu e de sua identidade, tornando-se, na idade adulta, um indivíduo inseguro e codependente.

“Os pais são superiores porque são pais”

Tal regra presume que a idade, maternidade e paternidade equivalem à maturidade, o que não é verdade, pois nem todo mundo torna-se responsável, consciente e mais inteligente com a passagem do tempo e a experiência, como é o caso de quem possui o transtorno de personalidade narcisista (para expandir o seu conhecimento acerca das características do narcisismo materno, recomendo o meu primeiro livro, Prisioneiras do Espelho, Um Guia de Liberdade Pessoal para Filhas de Mães Narcisistas). Quem condiciona os filhos a acreditarem a não saberem quem são ou o que seja melhor para si próprios, educa-os para se tornarem dependentes emocionalmente de outras pessoas. Além disso, esta mentalidade impede que confiem na própria percepção, competência, valor e potencial, inclusive fora do ambiente familiar.

“Se você trata a criança bem, torna-se arrogante e mimada”

Trata-se de uma crença antiquíssima e, embora supererrônea, é repetida, ainda hoje, por pais mal informados e que não compreendem a verdadeira importância de nutrir a autoestima do filho para ter um desenvolvimento saudável. É somente através do amor incondicional expressado de forma clara e consistente com as necessidades de uma criança que esta aprende a amar-se e respeitar-se. Quem cresce sentindo-se invisível e sem ser apreciado e validado pelos pais aprende que não é bom o suficiente e digno de ser amado e bem tratado. Tal individuo terá grande dificuldade de reconhecer o próprio valor sem vergonha e culpa (síndrome do impostor), autoafirmar-se e defender os próprios interesses.

“Pais dedicados são aqueles que ‘se preocupam’ com a criança”

Pais controladores e/ou ansiosos usam esta crença para manipular e projetar a ansiedade nos filhos. Vamos deixar bem claro, a ansiedade não equivale a amor. Pais que se preocupam excessivamente com o bem-estar dos filhos, ou usam isso como desculpa para justificar o controle que tentam exercer sobre estes, ou fazem por motivações obscuras e deficiências de equilíbrio emocional próprias. Não é a responsabilidade de nenhum filho fazer o que os pais querem para que se sintam melhor, já que não são responsáveis por seu bem-estar emocional. As crianças que são condicionadas a acreditarem nesta crença vivem com medo de magoarem os pais e sentem-se culpadas por problemas e sentimentos que não são seus, aspecto que está no cerne de uma atitude codependente.

“A criança é responsável pelo descontentamento dos pais em relação a ela”

Quando uma criança não corresponde às expectativas dos pais, razoáveis ou não, desapontam-nos e sofre as consequências disto, independente de terem vindo de si própria ou refletirem o seu próprio eu.  Desta forma, aprende, desde cedo, que necessita não somente antecipar, como também atender as necessidades alheias para que se sinta amada e segura em um relacionamento (codependência), pois quem é, o que quer e sente não tem valor nenhum (baixa autoestima). Segundo esta lógica, o seu valor é condicional, está fora de si e depende de sua habilidade de agradar os outros.

Se se identificou com as crenças rígidas de uma educação tóxica, acredita ter sido vítima disso e deseja superar a codependência e a baixa autoestima, sugiro o seguinte:

  • Reconheça e respeite o seu direito à autonomia, assim como o de seus filhos: todos temos direito à individualidade. Torne-se um modelo de autenticidade e autoconfiança honrando a sua liberdade pessoal e a dos outros a sua volta. Aprenda a dizer não e a aceitar as preferências alheias quando diferem da sua. Chega de dar ajuda e opinião que não são solicitadas tampouco necessárias.
  • Reconheça a própria competência, assim como a de seus filhos: seja consistente e aplique na própria vida o que acredita em teoria, com muita coragem. Se acredita nas suas habilidades e de seus filhos, dê prova concreta disso permitindo que todos se tornem responsáveis tanto por suas decisões, como pelas consequências destas. Seja tolerante e permita erros. Ninguém tem de ser perfeito, já que a vida é uma jornada de aprendizado para todos nós.
  • Ame-se, bem como os seus filhos, somente por estar viva: repita para si,Eu sou suficiente”, ponto final. Você não precisa provar o seu valor para ninguém. Se necessita de mais ajuda nesta área, recomendo o meu segundo livro, Filhas de Mães Narcisistas, Conhecimento Cura. No capítulo de número 4, “Os cinco Ás de emancipação da filha de mãe narcisista”, exploro a autoestima e autoaceitação em profundidade e ofereço dicas práticas de como alcançá-las.    
  • Torne-se responsável por como se sente e separe o que é seu do que é do outro: passe a monitorar os seus sentimentos e comportamentos e a entender o que funciona como um gatilho para a sua ansiedade. Investigue-a e aprenda a regulá-la e a lidar com ela de forma independente.