Declaração dos direitos da filha de mãe narcisista

Declaração dos direitos da filha de mãe narcisista
O reconhecimento que você procura está dentro de você

De forma incoerente, egoísta e cruel, filhas e filhos de mães narcisistas são forçados a se sentirem culpados por se recusarem a tolerar o comportamento transtornado de suas mães narcisistas.  A mensagem que recebem dos pais facilitadores, parentes, amigos e colegas – bem como da sabedoria burra do senso comum – tende a permanecer a mesma: independente do que a sua mãe fez ou faça, nada parece ser condenável o suficiente para ser reprovado. O que ouvem, pelo contrário, é que é “seu dever” aturá-la, aplacá-la, satisfazê-la e até perdoá-la, mesmo quando esta não possui humildade nenhuma para pedir desculpas tampouco perdão pelo abuso que cometeu e ainda comete contra os próprios filhos. Não é nenhuma surpresa, portanto, que como filho ou filha de mãe narcisista, você se sinta pequeno e insignificante, além de apresentar problemas de baixa autoestima. Como conseguir se autoafirmar contra tamanha injustiça, quando é tão difícil encontrar aliados ou pessoas corajosas o suficiente para reconhecerem esta verdade?

Chegou a hora de parar de buscar confirmação externa para o seu sofrimento. O reconhecimento que você procura assim como o amor e o respeito que tanto merece estão dentro de você.  Para ajudá-lo a dar voz a você a tudo o que sente e passou nas mãos de uma mãe e família tóxicas, leia e memorize a lista abaixo para relembrá-lo de sua humanidade e valor:

Declaração dos direitos da filha de mãe narcisista

  1. Eu tenho o direito de sentir raiva de quem abusa de mim.

  2. Eu tenho o direito de ser tratada como adulto.

  3. Eu tenho o direito de dizer não.

  4. Eu tenho o direito de cometer erros.

  5. Eu tenho o direito de cortar o contato com pessoas tóxicas, independente de quem sejam.

  6. Eu tenho o direito de viver a minha vida de acordo com a minha cabeça.

  7. Eu tenho o direito de reclamar do que não acho correto e das injustiças cometidas contra mim.

  8. Eu tenho o direito de validar a minha história e realidade.

  9. Eu tenho o direito de me proteger.

  10. Eu tenho o direito de sentir emoções antagônicas, bem como expressá-las de uma forma não abusiva.

  11. Eu tenho o direito de pedir e recusar ajuda.

  12. Eu tenho o direito a ter minha própria vontade, opinião e interesses.

  13. Eu tenho o direito de mudar a minha forma de agir e pensar.

  14. Eu tenho o direito de viver uma vida plena e de realizações.

Use e abuse desta lista para lembrar-se de que ninguém, absolutamente ninguém, tem o direito de abusar de você. Como explico no meu livro Filhas de Mães Narcisistas, Conhecimento Cura, “laço sanguíneo não equivale à licença para se comportar de maneira agressiva e boçal”. Ainda que a mulher que lhe deu à luz pareça ter mais direitos do que você, não se deixe lograr por uma cultura familiar paternalista, condescendente e de superioridade que protege pais e mães negligentes e abusivos, enquanto ignora o trauma, a dor e o desespero de filhos e filhas. Você tem todo o direito ao listado acima e muito, muito mais. Faça de seus direitos a sua bandeira de amor-próprio e carregue-a consigo, permanentemente e onde estiver. Não se permita ser manipulado por chantagem emocional e pare de praticar gaslighting contra si mesmo. A melhor maneira de legitimar a sua verdade é vivendo-a de forma autêntica, autônoma e de dentro para fora, com muita coragem e determinação.