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Por que as filhas de mães narcisistas atraem relacionamentos disfuncionais?

Por que as filhas de mães narcisistas atraem relacionamentos disfuncionais?

Um relacionamento é considerado disfuncional quando não fortalece a união

Um relacionamento é considerado disfuncional quando não fortalece a união, o bem-estar e o crescimento pessoal de todos os envolvidos, mas produz o efeito contrário, afetando negativamente o desenvolvimento tanto da saúde mental quanto emocional. No contexto do narcisismo materno, a importância do termo “relacionamento disfuncional” mostra-se óbvia quando a filha descobre que este não se limita ao contexto familiar, pois se aplica a quase todos os relacionamentos mantidos ao longo dos anos. É bem típico de minhas clientes quando refletem detidamente acerca da dinâmica dos seus relacionamentos, por exemplo, perceberem ter atraído um grande número de narcisistas para suas vidas. Isso não é, necessariamente, acurado, já que nem todo mundo é narcisista, mas corresponde, sim, a uma verdade: a tendência a criarem e manterem relacionamentos disfuncionais. A seguir, você descobrirá as raízes disso.

Porque vêm de uma família disfuncional: todos nós aprendemos como nos relacionar com os nossos pais e as demais pessoas influentes no período de nosso desenvolvimento, seja através de instrução direta ou observação de comportamentos. Familiar atrai familiar, independente disso nos favorecer ou complementar. Se os seus pais tinham o hábito de não validar os seus sentimentos e limites, você irá atrair e ser atraída, naturalmente, por pessoas que não os reconhecem nem os valorizam. Se você nunca teve um modelo de relacionamento funcional, fica praticamente impossível reproduzi-lo sem um esforço consciente e proativo.

Porque têm baixa autoestima: quem foi educada na base de amor condicional tem dificuldade de se considerar digna de ser amada por quem é e não pelo que possa oferecer. O abuso e a negligência também deixam marcas profundas na vítima, afetando negativamente não apenas a sua autoimagem, como também a sua capacidade de nutrir o amor e o respeito por si própria e honrar os seus limites. Devido a esta inclinação, a filha de mãe narcisista diminui-se na frente do outro, não sabe ou não consegue dizer não e tolera comportamentos impróprios, mesmo sem se dar conta, o que a torna uma presa irresistível para as pessoas difíceis, tóxicas e com tendências abusivas.

Porque são codependentes: é costume das filhas de mães narcisistas codependentes tentarem mudar e “ajudar” os outros e não a si próprias. Desta forma, comportam-se como a terapeuta ou pessoa responsável por resgatar os amigos e parceiros amorosos enquanto negligencia as próprias necessidades, tal como fez por muitos anos com a mãe narcisista e o pai facilitador. Esta característica faz com que atraiam pessoas egoístas, egocêntricas e imaturas emocionalmente, as quais não se sentem fortes o suficiente para se equilibrarem, assumirem o controle da própria vida e resolverem os próprios problemas.

Porque são dependentes emocionalmente: devido a sua dificuldade de regularem as emoções e sentirem-se bem de dentro para fora, as filhas de mães narcisistas veem os relacionamentos como fontes de direção, bem-estar e realização pessoal (“preciso de alguém para me sentir bem/inteira”, “quando os outros estão de bem comigo/ao meu redor, fico de bem comigo”, “só tenho valor/sei quem sou quando faço os outros sentirem-se bem). Portanto, atraem pessoas vulneráveis, dependentes e que não sabem como se relacionarem de forma autônoma e saudável. Vale lembrar que familiar atrai familiar.

Porque têm valores rígidos e disfuncionais: os nossos relacionamentos e as pessoas com as quais nos relacionamos refletem os nossos valores. Isso se deve ao fato de que atraímos as pessoas que compartilham e correspondem, de alguma forma, a nossa visão própria e de mundo. As filhas de mães narcisistas têm uma história longa de abuso e, com frequência, de trauma mal resolvido e, por isso, acreditam que não são dignas de ser amadas por pessoas boas e maduras. Se a sua identidade permanece atrelada ao trauma e aos valores e visões de mundo rígidas e narcisistas de seus pais, continuará atraindo as pessoas erradas.

Porque têm um baixo nível de maturidade emocional: quando crescemos aprendendo a não valorizarmos e aceitarmos todos os nossos sentimentos, sejam positivos ou negativos, temos dificuldade de conectar com esses na idade adulta. A filha de mãe narcisista que reprime os sentimentos antagônicos, em especial, e nega a sua sabedoria, por exemplo, torna-se mais suscetível a tolerar comportamentos impróprios ou até a não os reconhecer em tempo real. Quando cruza o caminho de uma pessoa imatura, abusiva e/ou com uma história de saúde mental e/ou trauma mal resolvido, por exemplo, descarta ou dissocia dos alarmes de perigo que o corpo emite para avisá-la e protegê-la de se envolver com uma pessoa tóxica. Como resultado, mantém-se aberta para os relacionamentos disfuncionais e, por fim, acaba por atrai-los.

Porque têm um problema de intimidade: as filhas de mães narcisistas, por terem uma história de trauma relacional e possuírem um estilo de apego inseguro, tendem a não se aceitarem de maneira íntegra e a se sentirem desconfortáveis dentro da própria pele e, principalmente, no campo dos relacionamentos. Isso faz com que não aceitem o lado vulnerável delas, tampouco o do potencial parceiro/parceira. No entanto, acabam atraindo pessoas intolerantes, que sofrem também de problema de intimidade e, por esta razão, não desenvolvem um relacionamento de forma aberta, madura e autêntica.

Caso tenha se identificado e deseje aprofundar o conhecimento a respeito do modo como o narcisismo materno afetou não só a sua saúde psicológica e emocional, bem como a habilidade de relacionar-se consigo e as outras pessoas, recomendo o meu segundo livro, Filhas de Mães Narcisistas, Conhecimento Cura. Esta leitura, além de facilitar o entendimento das circunstâncias do seu desenvolvimento que lhe afetaram, ajudará a superar o trauma e a impulsionar o seu crescimento e a sua realização pessoal.

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