Todas as mães amam suas filhas

Todas as mães amam suas filhas. Mesmo?

As suposições colorem a sabedoria do senso comum. Suposições são “verdades” que não precisam de comprovação cientifica para serem usadas como referência. Grande parte do sofrimento da filha de mãe narcisista se origina na noção de que como filha, “deve ser amada pela própria mãe”. Por não corresponder com a regra, sente-se defeituosa. Como resultado, passa a vida duvidando de suas próprias habilidades e correndo atrás do prejuízo, pois acredita que ao tornar-se “boa o suficiente”, conquistará o amor da própria mãe.

A realidade, no entanto, contradiz a generalização de que todas as mães amam suas filhas.

Existe um grande número de mães (e pais) que não reflete esta suposta tendência. Estima-se que entre 1% e 26% das crianças sofram maus tratos psicológicos. No Brasil essa percentagem equivale-se a 54 milhões de crianças abusadas emocionalmente. Se você concorda que mãe nem sempre ama, protege e cuida, fica difícil ignorar os fatos. Você não é uma exceção. Assim como você, há um significativo número de crianças, homens e mulheres que não são nem nunca foram amados por seu pai, mãe ou adulto responsável. Nem todas as mães amam suas filhas. Você não está sozinha.

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Melhore a sua autoestima se desfazendo de crenças que não se aplicam a sua realidade.

Um dos grandes problemas que contribui para a disseminação do comportamento abusivo de mães e pais ao redor do mundo reside na falta de informação. Enquanto temos plena ciência do que se entende por abuso físico, somos ignorantes em relação ao que seja abuso psicológico/emocional. Você passa anos sem questionar o comportamento impróprio e os ataques verbais da sua mãe narcisista, pois, assim, como acredita na ideia de que todas as mães amam suas filhas e no seu suposto direito de ser amada por ela, julga a maneira com que ela lhe trata como “normal” ou “merecida”.

Para ajudá-la a conceber a sua realidade além dos limites das suposições simplistas do senso comum, veja o que se qualifica como indício de comportamento abusivo de ordem psicológica/emocional:

– Se sentir manipulado(a) e controlado(a) psicológica ou emocionalmente por outra pessoa

Exemplos filha de mãe narcisista: fazer somente o que a mãe quer para ser aceita por ela, se ver forçada a se submeter a chantagens emocionais para apaziguá-la, deixar-se convencer para evitar conflitos (concordar com a mãe para evitar desavenças) ou para preservar o relacionamento, a conexão afetiva com a mãe.

– Ser roubado(a) de seu senso de identidade e limites

Exemplos filha de mãe narcisista: abdicar de seus gostos e preferências para garantir o afeto e atenção da mãe; fazer o que não gosta/quer para agradá-la; sentir-se culpada/inadequada quando seus interesses vão de encontro aos de sua mãe; sentir-se pressionada a seguir o que a mãe quer para você e não o que deseja para si mesma para ser aceita e “amada” por ela; dizer “sim” quando gostaria de dizer “não”; desistir de se dedicar ao que quer/gosta por não corresponder às expectativas da mãe; reproduzir comportamentos apreciados pela mãe, apesar de não serem condizentes com sua personalidade e atitude.

– Sentir-se responsável pelo bem-estar de outra pessoa

Exemplos filha de mãe narcisista: considerar-se responsável pelo estado de humor da mãe, sentir-se culpada por não ser capaz de satisfazer ou entreter a própria mãe, sentir-se culpada pelas deficiências, atos ou escolhas dela, sentir-se culpada quando algo de errado acontece com a família ou na vida da mãe.

– Ser submetido(a) a negligência emocional e afetiva

Exemplos filha de mãe narcisista: ignorar os próprios sentimentos para dar atenção à tristeza, ansiedade ou frustração da mãe, colocar o bem-estar da mãe na frente do seu para evitar desavenças, estar permanentemente disponível para suprir as necessidades emocionais e afetivas da mãe, reprimir sentimentos antagônicos para não aborrecer a mãe, diminuir a importância de momentos felizes (não celebrar conquistas/vitórias/talentos) para preservar o orgulho da mãe.

Para que você se sinta inteira, competente e capaz de se sentir aceita e amada, é preciso desfazer-se de crenças que não representam a sua história nem a realidade. Assim como não é verdade que o amor de mãe é automático, incondicional e universal, o suposto “direito” a ele também não passa de uma ilusão. Há vários empecilhos ao amor, seja ele de mãe, pai, cônjuge ou filho. O narcisismo é apenas um deles. Você não precisa do amor da sua mãe para se sentir amada, tampouco para prosperar na vida e nos relacionamentos com as outras pessoas. Em lugar de olhar para fora de si em busca de amor, passe a cultivar aquele que já se faz presente dentro de você. Direcione a sua atenção para si mesma e torne-se o agente da sua própria felicidade.